Ano novo chinês: curiosidades e impactos na importação
O ano novo chinês impacta diretamente nas importações. Entenda mais sobre a data e como se planejar.

O ano novo chinês marca a passagem de ano no calendário lunar, seguido pela cultura chinesa. Assim como no Ocidente, o período envolve muitas festividades, estando entre as mais populares do país.
As celebrações deste evento duram semanas, o que inevitavelmente gera impactos no comércio exterior e, em especial, nas importações, visto que a China está entre os principais parceiros comerciais do Brasil.
Quer saber mais sobre o ano novo da China e como contornar possíveis implicações no seu negócio? A gente te explica tudinho!
Riqueza cultural
As comemorações do ano novo chinês acontecem tradicionalmente na China. Mas o ano novo lunar também é celebrado em diversos países, como nas Coreias, Vietnã, Singapura, Indonésia e Filipinas — ainda que seus significados e rituais possam variar ligeiramente entre os países.
Muito valorizado pela população, trata-se de um período para se reunir com a família e amigos e, em alguns casos, até trocar presentes.

A festa tem forte expressão cultural e é carregada de tradições. Dias antes do novo ano chinês chegar, já é comum ver as ruas decoradas com lanternas vermelhas e inscrições nas portas das casas. Durante as festas, os pratos típicos, que simbolizam a sorte, ganham espaço à mesa. As luzes dos fogos de artifício iluminam os céus. E o Festival das Lanternas fecha as celebrações no 15º dia — junto à chegada da primeira lua cheia do ano.
Para cada ano, um animal
Uma prática também ligada ao ano novo da China e que você certamente já ouviu falar é a atribuição de animais aos anos que chegam. 2024, por exemplo, foi o Ano do Dragão — visto como uma criatura justa e benevolente, símbolo de poder, força, otimismo, disposição e boa sorte. Já 2025 será o Ano da Serpente, que representa sabedoria, intuição, renovação e estratégia.
O costume está ligado ao budismo. Segundo a crença, Buda teria convidado os animais para uma festa, mas só 12 apareceram. Para homenageá-los, os anos passariam então a ser reconhecidos por cada animal, de acordo com a ordem com que chegaram: rato, boi, tigre, coelho, dragão, serpente, cavalo, carneiro, macaco, galo, cachorro e javali.
Origens
O ano novo chinês é comemorado há 4 mil anos, mas foi a partir da dinastia Han, entre os séculos III a.C. e III d.C, que o calendário lunar foi adotado. A mitologia chinesa conta que tudo começou quando um ancião propôs a sua vila usar as cores vermelhas, lanternas, fogos e inscrições para espantar o monstro Nian.

No campo, a data tem um significado especial, pois abre a preparação para o plantio do arroz — uma das principais agriculturas do país.
E por que o ano novo chinês cai em datas diferentes?
No Brasil, nós seguimos o calendário gregoriano, que leva em consideração a rotação da Terra ao redor do Sol e que conta com 12 meses. Já a China, como mencionamos, segue o calendário lunar, que em geral também tem 12 meses. A principal diferença está na duração dos meses, que seguem o ciclo da lua e por isso somam cerca de 354 dias ao ano, sendo que a “sobra” é compensada com um décimo terceiro mês a cada 3 anos.
Portanto, para nós que seguimos o calendário gregoriano, o ano novo chinês pode variar sua data, caindo sempre na segunda Lua Nova após o solstício de inverno, entre os dias 21 de janeiro e 20 de fevereiro. Em 2025, por exemplo, o evento acontece no dia 29 de janeiro.

O feriado do ano novo na China dura, oficialmente, 3 dias. Mas as celebrações se estendem por cerca de 15 dias — período em que a maior parte dos trabalhadores tiram folga. Inclusive, empresas e indústrias também interrompem suas operações, reduzindo as atividades já alguns dias antes do evento, dando início a uma pausa que pode durar até 3 semanas.
Os impactos na importação
O ano novo chinês é uma festa super popular e um dos principais feriados do país. O que implica na paralisação de algumas cadeias produtivas, inclusive aquelas que suprem a importação brasileira. É importante destacar também que, mesmo após o evento e a retomada das atividades nas fábricas, a capacidade da produção ainda fica comprometida, levando algumas semanas para que seja normalizada.
Por outro lado, a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, sendo que em novembro de 2023 sua relação bilateral já tinha superado os US$ 130 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Pensando nisso, o mercado precisa levar em consideração possíveis atrasos na produção e no envio de mercadorias da China para o Brasil. E também o aumento nos custos — desde de produtos até do transporte —, impulsionados pela alta demanda e pouca disponibilidade.
Portanto, tendo em conta a representatividade da relação comercial entre os países e os potenciais reveses na produção e entrega de suprimentos e mercadorias para diversos setores neste período, é necessário se antecipar e, caso seja importador, programar suas cargas com antecedência.

Como se preparar?
Separamos aqui algumas dicas para que a sua empresa possa preparar as importações, levando em consideração o ano novo chinês:
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Avalie: identifique os produtos mais vendidos e/ou suprimentos necessários para o período, faça uma análise do seu estoque e antecipe seus pedidos, considerando que os prazos de produção e entrega serão prolongados;
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Planeje: a palavra de ordem aqui é “planejamento”. E você precisa começar o quanto antes. Tem importações programadas para o período em questão? Então identifique quais etapas do processo podem sofrer alguma interferência do feriado: as negociações podem ser interrompidas? Ou já está em fase de produção e deve contar com atrasos na fabricação? Quem sabe a mercadoria estará pronta, mas a carga ficará parada, até sua liberação para embarque?
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Negocie: uma vez antecipado os problemas e calculados os eventuais custos extras, é hora de negociar com fornecedores e parceiros. O objetivo é fortalecer o relacionamento e trabalhar com muita transparência, para que todos estejam a par dos desafios, possam sugerir soluções mais eficientes e alinhar prazos. Vale pesquisar também se faz sentido para a sua empresa estabelecer acordos de longo prazo, que podem mitigar os impactos da sazonalidade;
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Diversifique: investigue outras alternativas de transporte. Considere na conta os potenciais custos mais elevados versus a flexibilização na entrega, para tomar decisões mais embasadas e com melhor custo-benefício;
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Priorize: identifique quais são as mercadorias ou insumos sem os quais sua empresa não pode ficar, crie planos para cenários de crise e direcione seus esforços e recursos para atender estas necessidades primeiro. Além disso, considere trabalhar com estoques de segurança destes itens essenciais, a fim de suprir sua demanda em períodos de paralisação como a do ano novo chinês.
Quer começar a importar da China?
A China é um país com uma cultura vibrante e também é reconhecida como a “fábrica do mundo”. Nas últimas décadas sua indústria investiu forte em inovação e tecnologia, garantindo representatividade no comércio exterior, entregando produtos de alta qualidade e com preços extremamente competitivos.
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